O mercado de colecionáveis de MMA pode ser dividido em duas eras: antes e depois da Round 5. Se hoje olhamos para nossas prateleiras e vemos representações fiéis de ícones como Anderson Silva e Georges St-Pierre, devemos isso à visão audaciosa de Damon Lau e sua equipe no final dos anos 2000. Mas para entender esse sucesso, precisamos olhar para quem veio antes e como a produção foi moldada.

Os Precursores: O Caminho até o Octógono de Plástico

Antes da Round 5 se tornar o padrão ouro, o colecionismo de MMA deu seus primeiros passos com a Jakks Pacific. Embora a Jakks tivesse experiência com os bonecos da WWE, as primeiras figuras de MMA ainda careciam de uma identidade própria, muitas vezes reutilizando moldes do Pro-Wrestling que não transmitiam a essência real dos lutadores de jiu-jitsu ou muay thai.

Foi nesse vácuo que a Round 5 percebeu a oportunidade. O objetivo não era apenas fazer "brinquedos", mas sim memorabilia. Eles entenderam que o fã de UFC era diferente: ele buscava a precisão das tatuagens, as marcas das luvas e a fisionomia exata do lutador após um camp de treinamento.

O Nascimento da Produção: A Estética "Character-Driven"

A produção da Round 5 nasceu com um conceito chamado character-driven design. Em vez de um corpo genérico com uma cabeça diferente, cada lutador era esculpido para refletir sua postura real de combate.

O nascimento da linha Ultimate Collector marcou a transição para uma escala de aproximadamente 6 polegadas, com um acabamento em vinil de alta densidade que permitia detalhes microscópicos — como as cicatrizes no supercílio ou o relevo das orelhas de couve-flor.

O Marco Zero: A Series 1 (Regular Edition)

A jornada começou com a icônica Series 1 Regular Edition, que hoje é o alicerce de qualquer coleção respeitável. Esta série inicial não apenas apresentou a marca ao mundo, mas definiu o padrão de qualidade para os anos seguintes. Nela, tivemos o lançamento de figuras que se tornaram lendárias:

  • Georges St-Pierre (GSP): Capturando o auge técnico do campeão canadense.

  • Quinton "Rampage" Jackson: Com sua clássica expressão e detalhes precisos de sua fisionomia.

  • Chuck Liddell: O "The Iceman" com seu moicano e as famosas tatuagens laterais características.

  • Rashad Evans, Lyoto Machida, Kenny Florian, Clay Guida e Chuck Liddell: Atletas que completavam um time de elite que hoje são considerados itens históricos.

Do Protótipo à Prateleira: A Evolução para o Colecionismo de Elite

O que diferenciava a Round 5 era o respeito pela cronologia e pela exclusividade. Logo após o sucesso das edições regulares, a marca introduziu as Limited Editions e as Special Editions, trazendo variações de cores de bermudas, acessórios e embalagens premium.

Essa atenção aos detalhes permitiu que o site Bonecos UFC se tornasse mais do que uma loja; somos curadores dessas histórias. Ter um boneco do Chuck Liddell ou um Georges St-Pierre da primeira geração em sua estante não é apenas possuir plástico moldado, é possuir um fragmento da história do MMA imortalizado por uma produção que não existe mais.

Por que a Round 5 se tornou "Cult"?

Diferente das produções em massa atuais, cada "Wave" (onda de lançamentos) da Round 5 tinha um ciclo de vida curto. Quando a série saía de linha, ela se tornava instantaneamente um item de busca. A transição para as séries posteriores, como a Series 2 — que trouxe lendas como Randy Couture e Forrest Griffin — e a Series 3 — apresentando os irmãos Nogueira e Wanderlei Silva — consolidou a marca como a enciclopédia física do esporte.